Publicado em: 12/01/2016
Não é a corrupção o grande mal do Brasil, mas a hipocrisia.
Por Carlos Roberto de Faria
Nerópolis - GO

Não é a corrupção o grande mal do Brasil, mas a hipocrisia. O motorista que fura o sinal ou entra na contra mão, que estaciona em local proibido, ou na calçada, que não para na faixa de pedestre, é o mesmo cidadão que reclama do político desonesto. O garçom que serve uma dose generosa da bebida para ganhar na gorjeta, e o cidadão que paga a gorjeta para não pagar a outra dose, são os mesmos que se queixam do péssimo serviço público. A nossa conivência com os pequenos delitos, que nós nos permitimos, é que faz com que tenhamos tolerância para as falcatruas alheias.

Nossa tolerância com os flanelinhas ou “vigias” dos carros, que nos extorquem com a nossa permissão, é a mesma tolerância que permite aos políticos “elegerem” dois suplentes para cada senador, que nunca se submeteram a uma eleição, a um único voto, e que virão substituir um senador que virar ministro. Seria muito mais justo e lógico que o senador fosse substituído pelo candidato com maior votação, dentre os que não se elegeram. Na década de 50 ou 60, os candidatos a vice-presidente ou vice-governador eram votados, e o mais votado seria o vice, independentemente do partido. Os eleitores escolhiam o governante e o seu eventual substituto. A lógica das nossas leis eleitorais visa favorecer os candidatos, e não o Estado ou os cidadãos. O salário dos deputados e senadores é estipulado pelos próprios. São os únicos empregados, possivelmente no mundo, que estipulam o próprio salário. Sem falar nas artimanhas, como os “assessores” às dezenas, com salários desproporcionais. Ou o auxílio moradia, ou as passagens aéreas, quando não o próprio avião do Estado, que quando denunciada a malandragem, o malandro vem a público esbravejar que tem tal o direito.

Quando um policial estaciona na calçada, e ninguém reclama, é um atestado da submissão geral da população à lei do mais forte. Não importa a cor do carro na calçada, ele vai obstruir a passagem do pedestre, para quem o passeio foi feito. A desculpa de que o policial “precisa” estacionar é a mesma do médico, do advogado, do comprador de pão, ou de qualquer outro cidadão que precisa ir a algum lugar e não tem estacionamento. É claro que os superiores, o governador, o prefeito, a imprensa, o mundo inteiro está vendo a agressão do carro no local impróprio, mas ninguém abre a boca. Todos são coniventes.

Quando os jovens saudáveis deixarem de estacionar nas vagas dos idosos ou dos deficientes, quando nós gritarmos contra os flanelinhas, quando nós começarmos a não tolerar a nossa própria hipocrisia e a hipocrisia dos outros, estaremos iniciando o caminho para o chamado primeiro mundo.






























 
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