Publicado em: 31/01/2013
AUTORIDADES NEROPOLINAS DESCUMPREM LEI, AO REFORMAR E DEMOLIR PRÉDIOS PROTEGIDOS PELA LEI 021/1998.
Por Edson Lima
Nerópolis - GO

Buscando proteger o pouco que resta de nosso Patrimônio Histórico, a Câmara de Vereadores de Nerópolis, no ano de 2008, assessorada pela arquiteta Izair Sartin, fez incluir no Plano Diretor do Município, os artigos 21 e 22, com seus incisos, onde ficou garantida a proteção e preservação de prédios e praças, considerados como patrimônios históricos da Cidade.

Diz o artigo 21:

São objetivos da política de patrimônio histórico e cultural do Município:

I - ...

II - ...

III - Elaborar o acervo e a manutenção dos prédios e dos equipamentos públicos, tais como Praça São Benedito, Praça da Matriz, Praça Antônio Dutra, Prédio da Prefeitura Municipal e outras construções de valor histórico.

Artigo 22:

São diretrizes para a política do patrimônio histórico e cultural do Município:

I - …

II - Revitalizar a Praça São Benedito e viabilizar estudo técnico para a ampliação da matriz, mantendo suas fachadas originais.

Veja que se falou em ampliação, com manutenção de fachadas originais, e nunca em demolição, com destruição total das mesmas, para reconstrução similar.

Pelo que tivemos notícias, o estudo técnico nem chegou a ser viabilizado, sendo a Cidade surpreendida com a rápida demolição.

Infelizmente a preocupação do Município, com a preservação de seu patrimônio histórico, demonstrada pelos Legisladores da época, foi desprezada, tendo as autoridades responsáveis pelo cumprimento da Lei, se omitido, pois, ao que se sabe, nenhuma ação foi tomada para impedir as alterações do Prédio da Prefeitura e a demolição de nossa Igreja Matriz, a não ser o clamor e o desespero da população, quando da demolição da casa santa.

O que nos deixa mais tristes e apreensivos, é que o desrespeito às normas legais foi praticado pelas maiores autoridades do Município na época, no caso, pelo Chefe do Poder Executivo, e pelo Pároco local, maior autoridade Eclesiástica de nossa Cidade.

Sarcasticamente o Pároco costuma responder para alguns inconformados, que só aceita reclamação de quem freqüenta a Igreja. Esperamos que seja apenas um jogo de palavras, com o intuito de aplacar os mais revoltados, pois a população não está discutindo questões religiosas, e sim, questionando o desrespeito para com um nosso patrimônio histórico, que neste caso trata-se de um imóvel que possuía valor significativo para a nossa sociedade, mas poderia ser um bem artístico, documental, científico, social, espiritual ou ecológico.

Valorar um patrimônio é uma questão de foro íntimo, que nos remete aos nossos antepassados, que serão sempre lembrados de alguma forma, seja por um simples gesto, pela participação numa construção, ou até mesmo pelo carinho, ou amor que um ente querido demonstrava por uma obra, planta, objeto de arte, recurso natural, ou por um lugar específico. E por isso, só quem vive integrado a uma determinada sociedade, ou é dotado de sensibilidade, é capaz de entender tais sentimentos.

Que a nova e bela Casa de Deus, seja bem vinda. E que o Senhor nos proteja para que, com a rápida chegada do progresso, outros projetos considerados “progressistas”, não venham, no futuro, mais uma vez, destruir a nossa memória.
 
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